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As Linhas de Trabalho na Umbanda

  • Foto do escritor: Portal das Estrelas
    Portal das Estrelas
  • 15 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Voltando ao início da Religião de Umbanda, ainda chamada de Espiritismo de Umbanda por Pai Zélio Fernandino de Moraes, temos a primeira manifestação de um arquétipo dentro da religião, o espirito do Frei Malagrida se apresentara como o Caboclo das Sete Encruzilhadas, ali ele abria mão de sua identidade individual para se apresentar sob o arquétipo do Caboclo, do homem, nativo da terra, guardião da natureza, os povos nativos, os indígenas que foram humilhados, saqueados e dizimados pelo homem branco no passado.


Malagrida agora era um entre incontáveis espíritos pertencentes a Linha de trabalho dos Caboclos.


Até a publicação das obras de Rubens Saraceni poucos explicavam o que são as linhas de trabalho e falanges e porque são o que são.


Como linhas de trabalho podemos citar: Linha de Caboclos, Linha de Pretos-Velhos, Linha de Baianos, Boiadeiros, Ciganos etc.


Por falanges entendemos como agrupamentos de espíritos que trabalham sob a emanação dos mesmos tronos, e por consequência trabalham no mesmo campo de atuação, como: Caboclo Sete Flechas, Pai Joaquim de Angola, Cigano Juan etc.


Pai Rubens trouxe em seus estudos tais explicações.


Por exemplo: a linha dos Caboclos é uma homenagem aos donos da terra, aos nativos, indígenas que foram roubados, escravizados e dizimados pelos europeus.


Pretos-Velhos, homenagem aos negros que foram retirados de suas pátrias, escravizados, torturados, proibidos de viver sua cultura e religião, comprados, vendidos e descartados como objetos de pouco valor.


Logo podemos deduzir que a Umbanda traz a exaltação daqueles que foram subjugados e marginalizados no passado e ainda hoje sofrem reverberações de tais atrocidades.


No início da formação das linhas de trabalho diversos espíritos de diversas partes do mundo, de diferentes religiões e raças foram incorporadas as linhas e falanges de acordo com a afinidade vibratória, valores, atuação etc.


Podemos afirmar que nem todo Caboclo foi indígena em sua última encarnação, nem todo Preto Velho foi escravo, mas todos esses espíritos singulares renunciaram a sua identidade individual para trazerem ao Ritual de Umbanda a mensagem de que todos somos o índio saqueado, todos somos o negro escravizado, como nos ensina o Pai Alexandre Cumino.


Cada guia que se apresenta sob um arquétipo vem representar uma cultura, etnia, e a partir de uma imagem comum no inconsciente coletivo gerar aproximação entre a população e a religião.


Esses arquétipos trazem consigo uma série de saberes, trejeitos, vocábulos comuns entre todos os espíritos pertencentes a mesma linha.


Alguns Pretos-Velhos se curvam mais, outros menos, porém todos simbolizam o ancião, sábio, paciente, amoroso e compassivo.


Alguns caboclos bradam mais alto, outros menos, porém todos simbolizam o guerreiro, forte, destemido, guardião da natureza.


Então, temos as linhas de Umbanda, referente aos 7 tronos de Deus, que dão sustentação as linhas de trabalho, dentro dessas linhas de trabalho existem os agrupamentos de espíritos que atuam no mesmo foco, na mesma especialidade, seus nomes simbólicos dão a dica do tipo de trabalho da entidade e assim podemos ligá-los a outro ou outros orixás, onde estão seus campos de atuação.


O guia é o irradiador final, pois ele é quem chega até nós no plano material mas sua fonte energética está em uma das dimensões elementais, na base das hierarquias que atuam na Umbanda Sagrada, assim como estão os fundamentos energéticos das linhas de umbanda, também chamadas linhas de lei, de ação e reação e de trabalho.

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